Projeto de Cristovam que propõe interromper a instalação pelos próximos 30 anos foi alvo de críticas, mas o senador lembra que países europeus já tomaram essa decisão

Francisco Whitaker, Altino Ventura, Fernando Collor, presidente da CI, Othon Silva e Cristovam (à esq.): sem consenso Foto: Marcos Oliveira

Senadores e convidados que participaram ontem de audiência pública da Comissão de Infraestrutura não chegaram a um consenso sobre o projeto (PLS 405/2011) de Cristovam Buarque (PDT-DF) que suspende pelo prazo de 30 anos a construção de novas usinas termonucleares no Brasil. A necessidade de diversificação da matriz energética se contrapôs a questões de segurança e ao medo de acidentes, como os ocorridos na União Soviética, há 27 anos, e em Fukushima (Japão), em 2011.

O diretor-presidente da Eletrobras Termonuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, afirmou que as usinas modernas, construídas em locais apropriados e com a tecnologia adequada, são seguras e eficientes na geração de energia. Segundo ele, o Brasil pode prescindir das nucleares, mas vai pagar pela decisão.

— O país é rico em minerais e em urânio, o qual não tem outra utilização que não a geração de eletricidade.

Suspender por 30 anos é possível, mas vamos pagar mais e sacrificar mais o povo — argumentou Othon Silva.

Ele garantiu ainda que a Usina Angra 3, que começará a operar em 2018, no litoral do Rio de Janeiro, contará com as normas mais modernas de segurança e que existe um plano de evacuação bem preparado, em caso de emergência.

— Fukushima contou com um plano de fuga que permitiu a evacuação de 140 mil pessoas da região sem acidentes. Em Angra adotamos metodologia semelhante — afirmou.

Já o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, defendeu a diversificação da matriz energética brasileira.

— Tem espaço para todas as fontes, inclusive para a nuclear. O Brasil precisa fazer sua economia crescer. Só ela [energia] não resolve; mas, se faltar, a economia não cresce — argumentou.

Lobão Filho (PMDB-MA) criticou o projeto e disse que a proposta surgiu “no calor de acontecimentos recentes”.

— Em Fukushima houve falhas e um componente ambiental. Temos que aprender com erros de terceiros e impedir que aconteçam aqui — afirmou.

Já Cristovam Buarque lembra que a Constituição garante o direito dos cidadãos à segurança e que as usinas nucleares são ameaças permanentes, inclusive para as gerações futuras. Ele citou, em sua justificativa do projeto, que 94% dos eleitores italianos rejeitaram, em plebiscito,a retomada do programa nuclear naquele país.

Na Alemanha, informou, o governo decidiu desativar todas as usinas ­nucleares até 2022.

Fonte: Jornal do Senado - publicado em 28/11/2013

Exibições: 50

Comentar

Você precisa ser um membro de Articulação Antinuclear Brasileira para adicionar comentários!

Entrar em Articulação Antinuclear Brasileira

Fazemos parte da Frente por uma Nova Política Energética

Acesse!

Site      Facebook    Twitter

© 2019   Criado por Articulação Antinuclear BR.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço