Por Zoraide Vilasboas, da Articulação Antinuclear Brasileira

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Ao contrário do Programa Nuclear Brasileiro, que vive um “inferno astral” nos últimos tempos, a Articulação Antinuclear Brasileira fecha 2016 contabilizando realizações. Entre os prejuízos do setor nuclear estão a interrupção da construção de Angra 3; a prisão de dirigentes do alto escalão da Eletronuclear, investigados por corrupção na Lava-Jato; a condenação por assédio moral pela Justiça do Trabalho da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que opera a unidade de concentrado de urânio em Caetité (Ba), e a produção zero há quase três anos nessa mesma instalação nuclear. 

No plano internacional, a luta antinuclear, que condena o armamentismo e busca difundir a cultura da paz, defende um mundo livre da tecnologia da fissão nuclear, civil e militar. A crescente mobilização global chegou a realizar dois Fóruns Sociais Temáticos Contra o Nuclear Civil e Militar: em Tóquio e Fukushima (Japão - 23 a 28 de março) e em Montreal (Canadá - 8 a 14 de agosto). Nos dois eventos, reafirmamos a disposição de lutar para eliminar todas as armas nucleares, por fim aos programas nucleares, à extração do urânio no mundo e impedir a produção do lixo atômico, com o desmontar todos os reatores do planeta.

No Brasil, só nos últimos três meses, realizamos atividades em Brasília, Pernambuco, Ceará e São Paulo. O Seminário Nacional do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS), realizado em Brasília, de 25 a 28 de setembro, aprovou uma carta final alertando para as consequências dos extremo..., sob pena de sermos tragados por uma ‘tragédia anunciada’, mas ainda evitável. 

O evento reuniu cerca de 100 representantes de todas as regiões do país, apoiadores do FMCJS, totalizando 51 entidades que levantaram um extenso painel dos problemas causados pelas mudanças climáticas no Brasil, debateram os desafios e apontaram a questão da água, como o tema convergente nas ações para o próximo período das lutas articuladas em defesa da Vida em nosso planeta. 

O professor Heitor Scalambrini (PE) e Zoraide Vilasboas (BA), participaram do Seminário, representando a Articulação Antinuclear Brasileira. O prof. Scalambrini fez uma apresentação sobre Energia Alternativa, na mesa sobre “Aprofundamento de Dimensões da Realidade”. Ele criticou o que chamou de conceitos equivocados, usados para adjetivar as fontes energéticas. 

O primeiro associa de forma recorrente os conceitos de “energia alternativa, energia limpa, energia verde ou energia sustentável”, às fontes renováveis (sol, vento, água e biomassa). Elas, portanto, “não gerariam impacto no meio ambiente e nas pessoas”, seja através do esgotamento de recursos ou pela emissão de CO2 na atmosfera. Os adjetivos "verde", "sustentável" e "limpo" em geral são associados a práticas positivas de respeito ao ambiente, às pessoas, supostamente  postas em prática por governos e empresas.   No entanto, “quando se olha mais de perto, a ideia do "verde" apresenta tons cinzas que as ações de marketing ambiental dos grupos empresariais não gostam de mostrar em suas campanhas publicitárias”.

 

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Debatedores do tema “Aprofundamento de Dimensões da Realidade” 

Para ele, chamar de ”energia limpa” as fontes renováveis que não liberariam, durante seu processo de produção ou consumo, resíduos ou gases poluentes geradores do efeito estufa e do aquecimento global, é também parte de uma estratégia falsa que confunde. “Visto que em todo processo de conversão de uma forma para outra sempre haverá algum tipo de resíduos, de emissões, de perdas, danos, desastres, expropriações, desgraças, destruições. Logo não existe energia limpa”, disse.

Não é adequado utilizar tais designações para as fontes energéticas, didaticamente chamadas de fontes renováveis e não-renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão e minérios radioativos). “Mesmo as fontes renováveis, dependendo de como as utilizemos (grandes centrais, plantações monoculturas) poderão trazer enormes problemas socioambientais, como ocorre com as centrais eólicas no Nordeste brasileiro”, concluiu.

Na mesa que abordou o tema “Relatos de Práticas de Parcerias”, Zoraide contextualizou asLutas Contra a Energia Nuclear. Falando sobre a tragédia da mineração de urânio em Caetité (Bahia), destacou a importância da construção de alianças na luta antinuclear e defendeu o uso de energias renováveis, em lugar da nuclear, pois sua cadeia de produção (cara, suja e perigosa) emite CO2 - contribuindo para o aquecimento global – sendo, portanto, “econômica, social e ambientalmente insustentável”.

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