Em 11 de Março de 2011, o maior desastre ambiental já ocorrido teve início se abateu sobre Fukushima. Semanas depois, o vazamento nuclear foi confirmado.
As descargas radioativas não podem ser paradas. Elas continuam fora de controle. São incontornáveis, incontroláveis. Fukushima é uma catástrofe sem precedentes. É razão suficiente para abolir toda forma de energia nuclear.
Helen Caldicott é clara e inequívoca. Explosões nucleares são suficientes para criar “um inverno nuclear, com os EUA coberto por uma nuvem tao espessa que poderá bloquear o sol por anos, e isso seria o fim.” Outros especialistas em energia nuclear estão de acordo.
Em 1953, o futuro prêmio nobel de fisiologia e medicina George Wald, ainda estudante entre outros, disse “não existe esta história de energia nuclear segura”. Mais tarde afirmou:
Se você lesse nos jornais amanhã que astrônomos fizeram uma descoberta chocante. Encontraram outra estrela em rota de colisão com o sol, em pouco tempo tudo estaria acabado. 
Se eles dissessem que teríamos apenas oito meses até a colisão, depois disso seria o fim! Colocaríamos nossas melhores roupas e iriamos dançar nas ruas – seria um fim cósmico, isso é destino. Poderíamos partir com dignidade.
Morrer pela energia nuclear, adicionou, "é tão banal, é tão ignobilmente macabro como também, penso eu, intolerável, completamente inaceitável."
Wald convocava a todos para "fecharem todas as usinas nucleares amanhã.” Fazer isso hoje é mais urgente que nunca.
Helen Caldicott afirma que as usinas nucleares são inerentemente inseguras. Precisam ser abandonadas, ela acentua.
“Como médica, eu afirmo que a tecnologia nuclear é uma ameaça a vida no nosso planeta com extinção,” ela diz.
Se a tendência atual continuar, o ar que respiramos, a comida que comemos, e a água que bebemos logo será contam innada com poluição radioativa suficiente para potencialmente colocar a saúde em um risco muito maior que qualquer praga que a humanidade já tenha experienciado.
Energia nuclear demanda perfeição. Ela exige que não haja atos catastróficos da natureza. Acidentes menores são trivialidades.
Pessoas que vivem nas proximidades de locais afetados correm enormes riscos. A radiação causa câncer, outras doenças e defeitos de nascença. “Nenhuma dose de radiação é segura,” Caldicott enfatiza. “Toda radiação é cumulativa” no corpo.
Ela chamou Fukushima “por ordens de magnitude muitas vezes pior que Chernobyl.”
De acordo com um estudo de 2009 da Academia de Ciências de Nova York, Chernobyl matou em torno de um milhão de pessoas até agora. O relatório oficial da IAEA é evasivo. É falso. Ele afirma que houve apenas 4 000 mortes.
NYAS afirma:
Trata-se de uma coleção de artigos traduzidos do russo com algumas contribuições revisadas e atualizadas.
Escritos pelos principais especialistas do Leste Europeu, o volume delineia a história das consequências para a saúde e o meio ambiente do desastre de Chernobyl. 
Segundo os autores, discussões oficiais do IAEA e as agências associadas à ONU (e.g. os relatórios sobre Chernobyl) subestimaram ou ignoraram amplamente muitos dos achados reportados na literatura científica do leste-europeu e consequentemente erraram por não incluir estas avaliações.
IAEA e as Agências da ONU mentiram. As autoridades japonesas, a TEPCO e os especialistas da indústria nuclear suprimiram o pior sobre o que de fato ocorreu.
Vastas partes do Japão parecem estar permanentemente contaminada. Elas não são mais seguras para se viver. Deveriam ser evacuadas. 
Einstein uma vez disse:
A divisão do átomo mudou tudo menos o modo de pensar da humanidade. 
Ele também disse
Energia nuclear é uma maneira infernal de ferver água.
É utilizada para criar vapor. Radiação vem com isso. 
Ela é mortal, é imperdoável. É um preço muito alto a pagar. Há suficiente disso para ameaçar a sobrevivência da humanidade. Plutônio é o pior de todos. Inalado um milionésimo de uma grama causa câncer de pulmão, câncer nos ossos e leucemia. Permanece radioativo por meio milhão de anos. Isso é virtualmente para sempre.
Reatores nucleares são inerentemente inseguros. Seguradoras se recusam a segurá-los. Subsídios públicos sustentam suas construçoes e manutenção. Renováveis são o único recurso seguro de energia. 
Guerras precisam ser eliminadas ou nos eliminarão. A mesma coisa serve para a energia nuclear. É uma tecnologia perigosa desenhada para ferver água. Ela ameaça a vida na terra.
O professor de biologia molecular e celular, John Goffman (1919 – 2007) disse "a indústria nuclear está declarando guerra contra a humanidade. Licenciar uma usina nuclear é no meu entendimento, licenciar um assassinato premeditado aleatório."
Não é mais uma pergunta: radiação produz câncer, e a evidencia mostra ser suficiente para isso apenas uma pequena dose. 
Goffman estava envolvido no projeto Manhattan. Mais tarde ele trabalhou em medicina. Foi o porta-voz sobre os riscos da energia nuclear. Presidiu o Comitê pela responsabilidade Nuclear.
Toda a indústria nuclear está baseada em fraudes e encobrimentos. Se pessoas suficientes soubessem a verdade, a energia nuclear poderia ser abolida.
O especialista em energia nuclear Chris Busby disse que o desastre de Fukushima explodiu "grandes quantidades de combustível no alto do céu. A contaminação de solo (excedeu) bem mais de 200 km."
É muito pior que Chernobyl. Sua queda de resíduos radioativos (fallout) “alcançou grandes centros populosos.” Fukushima segue “lançando seus radionuclídeos vaporizados por todo Japão.” 
Toda sua população está em risco. Isso “contaminou Tóquio.” Tudo o que a população mais precisa saber está sendo encoberto e suprimido. Busby não “vê nenhuma saída possível para essa situação.”
Ele acredita que a indústria nuclear internacional é responsável. Eles deveriam ser forçados a pagar. As condições estão fora de controle. Ninguém tem certeza do quão ruim estão por causa dos encobrimentos e negativas da indústria. 
Todo mundo num raio de 100 km de Fukushima deveria ser evacuado, ele disse. Ele pensa que deveria ser levado em séria consideração a possibilidade de evacuar. Não é seguro. Isso é “muito sério,” salientou.
A Voz da Rússia entrevistou Joseph Mangano. Ele é um epidemiologista, chefe do Projeto de Saúde Pública e Radiação. 
Trata-se de uma organização de pesquisa envolvida em "entender as relações entre baixos níveis de radiação nuclear e saúde pública.
Estuda as ligações entre baixos níveis de radiação e o crescimento da ocorrência de doenças em todo mundo. Foca especialmente no câncer e efeitos em crianças e recém-nascidos. Defende uma vigilância pública destes graves perigos. 
Crianças nascidas depois de 2010 enfrentam 26% mais chances de câncer e defeitos de nascença, disse Mangano. A política oficial norte-americana, se recusa a dialogar com esses dados, e os silencia.
Segurança hídrica e alimentar são fundamentais. América está sob risco. “Nós publicamos um estudo em um jornal aberto de Pediatria”, disse Mangano.
Nós buscamos por dois tipos de dados oficiais: um era as estatísticas de quanta radiação havia no ar nas semanas e meses após Fukushima (e eram bem mais altos na Costa Oeste que no resto do país) e número dois – procuramos as estatísticas oficiais no estado da Califórnia sobre recém-nascidos com uma condição chamada hipotiroidismo que é quando a glândula tiroide tem baixa atividade.
Isto é algo que é sabidamente efeito da exposição por iodine radioativo que só é criado em bombas atômicas que permaneceram anos sem explodir e emissões de reatores nucleares.
Fukushima causou um enorme mal à saúde humana. Seus efeitos serão sentidos por muitos anos. Ele se espalha através do pacífico em direção às Américas. O ar e a água contaminados alcançam grandes distancias e além delas.
“Estudos de quase três anos atrás descobriram que a pluma de radiação que escapou de Fukushima chegou na costa oeste dos Estados Unidos em apenas cinco dias após o vazamento inicial,” disse Mangano.
Ela não demorou muito. Uma vez que estas partículas radioativas em gases alcançam o ar, elas se movem com os ventos e se mantêm viajando até retornarem ao ambiente através das chuvas e da neve.
Ela circulou todo o hemisfério norte mas alcançou a costa oeste em cinco dias e voltou ao ambiente em grandes quantidades na costa norte e em outros lugares dos Estados Unidos.
O estudo de Mangano pretende relacional o crescimento dos casos de hipotiroidismo em crianças com a radiação vinda de Fukushima.
“Somente agora começamos a ter em mãos as informações recentes de 2011,” disse Mangano.
Isso significa que começamos por procurar entre os fetus e recém-nascidos porque eles são os mais suscetíveis a radiação.
E vamos procurar não somente pelo hipotiroidismo mas também por possível defeitos de nascença."
“Mortes de crianças” serão examinadas, “bebes que nasceram abaixo do peso,” Bebes que nasceram prematuramente, coisas desta natureza (estão sendo estudadas) para ver o antes e o depois de Fukushima se existe uma diferença." 
“Levará décadas para saber o total da lista de casualidades de Fukushima.” Demora anos para o câncer emergir."
Certamente o desastre de Fukushima fará com que mais crianças desenvolvam câncer, outras doenças e defeitos de nascença. 
Uma pesquisa de 2012 revela que de 200 000 crianças japonesas, 56% delas com idade inferior aos 18 anos apresentaram sintomas pré-cancerosos. Isto não tem precedentes. Deveria ser quase nenhuma, disse Mangano.
“É um estudo em andamento pela Universidade Médica de Fukushima," complementou. “Eles também encontraram mais de 59 crianças com câncer de tiroide e esta é uma condição que até então era muito rara em crianças.” Nossa expectativa era em três anos, encontrar talvez uma ou duas. Eles confirmaram esta condição em 26 e suspeitam de outros 33 casos.
Então, este é apenas o começo. Enquanto comunidade de pesquisa nós realmente precisamos olhar para este terrível acontecimento seriamente e fazer todos os estudos em uma base contínua.
Em 1973, Harvela Wasserman ajudou a cunhar a frase “Nuclear Não” (No Nukes). Ele estava envolvido na fundação das raízes do movimento contra a energia nuclear.
Ele e Norman Solomon foram coautores no livro “Matando a nós mesmos: O Desastre da Experiencia com Energia Atômica na América”.
Ele faz campanha por um mundo abastecido por energias verdes. Parte do problema de Fukushima é que sabemos muito pouco, afirmou.
Ao mesmo tempo, o que sabemos é “aterrorizante”. Nunca tivemos três transbordamentos simultâneos e quatro explosões em um só reator". 
Os Estados Unidos possuem duas dúzias de usinas “virtualmente idênticas a Fukushima”. 
O governo japonês é fortemente pró-nuclear. Isso e parte do problema. No Alasca foi detectada radiação. Um estudo de 14 atuns pescados fora da costa da Califórnia descobriu que todos eles estavam contaminados.
“Estou recebendo informações do Pacífico as quais só posso me referir como apocalíptica,” Wasserman salientou.
Ele se referiu as “maiores zonas mortas, radiação sendo detectada por todas as partes.”
A Radiação mesmo em pequenas doses, césium, estrôncio, iodine, são bioacumulantes. 
Se uma dose relativamente pequena se aloja dentro de alguma alga marinha, um peixe virá; e comerá algas marinhas suficientes e ela se tornará significante; estas doses entrarão para a cadeia alimentar: isso é muito, muito sério.
Trata-se de “uma crise de maior grandeza”. A Tepco começou a remover as barras de combustível. Isso é muito arriscado. "É algo que nunca foi feito sob esse tipo de circunstância," disse Wasserman.
O problema é que nós não estamos apenas entre uma rocha e um lugar duro, uma rocha está caindo sobre nós.
Temos mais de 1 300 barras de combustível lá dentro. 
De forma a retirá-las de maneira correta elas precisam estar em uma forma decente porque você tem que puxá-las para fora de uma grade.
Se eles estão dobradas, se estão torcidas, se estão fragilizadas, se estão inchadas, não sabemos se elas sairão, e elas precisam sair.
“Precisamos descobrir” como fazer isso. Precisamos desmontar as unidades 3, 2 e 1. Descobrir onde estão os núcleos derretidos destas unidades. Temos pelo menos três deles desaparecidos."
A comunidade global é responsável por resolver essa crise. O "Oceano Pacífico está em jogo. Nós já perdemos o Golfo do México."
Muito mais radiação “estará na Califórnia dentro de um ano.” Lidar com este tipo de desastre é algo a longo prazo. 
Outro incidente do nível de Fukushima “aterroriza” Wasserman. É só uma questão de tempo.
Ele não vai ao Japão. É arriscado demais. Se ele tivesse parentes por lá, ele diria para eles partirem. “Isso só ira ficar pior.”
As coisas estão piores agora do que em Março de 2011. "Nós temos uma situação muito séria. É uma das mais duras."
Ao mesmo tempo, Wasserman é otimista. “Sempre existe uma solução,” ele disse. Dedicando tempo e dinheiro suficientes para encontrá-la, mas este é outro assunto.

Sobre o autor: Stephen Lendman vive em Chicago e pode ser encontrado pelo e-mail lendmanstephen@sbcglobal.net. Seu novo livre é intitulado "Como Wall Street Tosou a América: Privatizaçao Bancária, Conspiração Governamental e Guerra de Classe. Visite também seu blogue http://sjlendman.blogspot.com/ e ouça suas discussões de ponta com distintos convidados no programa “Progressive Radio News Hour” na Progressive Radio Network, nas quintas as 10am do centro dos EUA, e sábados e domingos a tarde. Todos os programas estão arquivados para consulta fácil no endereço www.progressiveradionetwork.com.

Fonte: http://sjlendman.blogspot.com.br/2013/12/fukushimas-deadly-legacy.html em 4 de dezembro de 2013

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