Da Agência de Notícias do Senado
A questão da destinação final do lixo nuclear no Brasil, que até hoje não foi resolvida, foi o principal tema em debate, na manhã desta terça-feira (27), no seminário internacional Usinas Nucleares — Lições da Experiência Mundial, promovido pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado no auditório do Interlegis. No caso brasileiro, os rejeitos têm sido armazenados em áreas próximas às usinas Angra 1 e Angra 2, mas especialistas advertem que a solução não é satisfatória.
Conforme o físico Luiz Pinguelli Rosa, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Eletrobras, ainda não há no mundo uma solução definitiva para esse material, nem garantia total de segurança para o meio ambiente e para a população.
— No Brasil, esse material está armazenado no terreno dos reatores nucleares em Angra dos Reis. O problema é que é uma área com propensão a desabamentos — observou.
Os rejeitos de baixa e média radioatividade são guardados em depósitos provisórios ou permanentes. O grande problema está no lixo de alta radioatividade, como restos do combustível que move as usinas. Esse material, que leva milhares de anos para ter sua radioatividade reduzida, é armazenado provisoriamente em piscinas especiais localizadas próximas ao reator.
O ativista social Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz, manifestou-se contra a decisão do governo de prosseguir com a construção da usina nuclear de Angra 3 depois do acidente nuclear em Fukushima, no Japão.
Whitaker disse que a sociedade é, ao mesmo tempo, beneficiária da energia nuclear e potencial vítima de um acidente. Para ele é necessário aprofundar o debate com a população sobre os riscos desse processo de geração de energia:
— A probabilidade de acontecer é de 0,001%, mas esse “unzinho” é terrível. Significa milhares de pessoas evacuadas. Milhares de pessoas que não poderão voltar às suas casas — avaliou.
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